Esse executivo está prestes a explodir PDF Imprimir E-mail
Qua, 05 de Fevereiro de 2014 13:05

O psiquiatra Ronald Schouten, da Universidade Harvard, estuda por que tem gente que perde a cabeça no trabalho – e dá a receita para você manter o autocontrole

 

Você já se sentiu no limite de sua paciência a ponto de atirar o com­putador no chão? Se imaginou pegando o chefe pelo pescoço quando ele pára ao seu lado, começa a lhe dar ordens, ignorando que você está ao telefone? Pensamentos agressivos como esses são tão corriqueiros no dia-a-dia corporativo que deram origem a filmes como Um Dia de Fúria, quadrinhos como Dilbert e até vídeos no site YouTube (confira em www.vocesa.com.br). Mas isso não significa que você pode par­tir para as vias de fato. O psiquiatra e consultor americano Ronald Schouten garante, que dá para controlar as emoções por mais raiva que se sinta.

 

Professor adjunto da Faculdade de Medicina da Universidade Harvard e sócio-fundador da consultoria Key-People, ele estuda casos de profissionais que perdem o controle no trabalho, comportamento conhecido como disruptivo.

De Boston, nos Estados Unidos, ele falou a VOCÊ S/A. Confira os principais trechos de sua entrevista.

 

A causa

 

"De maneira geral podemos dizer que esse estado é resultado de uma combinação infeliz de traços da personali­dade, dificuldades de relacionamento e altos níveis de estresse. Mudanças na cultura da organização costumam ser fontes de problemas. O comportamen­to disruptivo se manifesta com atitu­des como agressões verbais e até físi­cas, em menor escala."

 

As frustrações

 

Pesquisas realizadas nos Estados Unidos apontam que algumas pessoas se sentem sem controle sobre a vida. Muitos se consideram desrespeitados, com grande responsabilidade e pouca autoridade. Um outro ponto é que sofremos de um certo 'paradoxo do sucesso'. Quanto mais bem-sucedidos, menos felizes nos sentimos e mais achamos que podemos conseguir um salário mais alto, uma casa maior, um carro melhor. O comportamento disrup­tivo surge a partir desses sentimentos."

 

Os efeitos

 

"O impacto do comportamento disrupti­vo afeta três pontos: o lado emocional, o profissional e as relações familiares. Do ponto de vista emocional, a reação mais comum é a revolta diante da adoção de novas práticas e novas formas de gestão. No aspecto profissional, o comportamento disruptivo pode levar à perda de posi­ção e de status na empresa. Nesse caso, pode haver prejuízos à imagem do pro­fissional, antes visto como infalível e poderoso diante da família."

 

Lidando com o problema

 

"Entre as práticas para lidar com o proble­ma estão a criação de um clima de traba­lho respeitoso, com tolerância zero para qualquer tipo de comportamento abusi­vo. Oferecer assistência psicológica a to­dos os empregados é outra medida im­portante. Além disso, os gestores preci­sam ser treinados para identificar sinto­mas de estresse e ajudar o profissional a se sentir bem consigo e com o trabalho."

 

Quem está imune

 

"Escapam desse problema aqueles com traquejo social e bom senso para lidar com as próprias frustrações e com maturida­de para pedir desculpas depois de algu­ma explosão, por exemplo."

 

Aprenda a se desligar

 

"É preciso achar um equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Aprender a se des­ligar do trabalho, mesmo. Até pessoas fe­lizes e fortemente identificadas com o tra­balho precisam saber que todo excesso é prejudicial. Participar de outras atividades além do expediente é fundamental."

 

Fonte: VOCÊ S/A – Junho de 2007 – Pág. 78.