Transição de carreira sem atropelos PDF Imprimir E-mail
Qua, 05 de Fevereiro de 2014 13:53

O que você deve fazer quando está iniciando na carreira, trocando de emprego, abrindo um negócio ou se aposentando

 

Ao longo de toda uma vida profissional, as pessoas estão sujeitas a momentos de transição, seja no início, quando saem da faculdade em busca da primeira oportunidade de trabalho; durante a carreira em uma organização, em processos de promoções ou mobilida­de interna; seja na troca de emprego; ou quando resol­vem tornar-se o próprio patrão; no difícil momento de uma demissão inesperada (ou mesmo esperada) e até na aposentadoria.

 

Contudo, esses momentos de transição que ocorrem durante a vida devem ser, dentro do possível, planejados de forma absolutamente criteriosa, tanto para evitar pro­blemas financeiros futuros, quanto para tomar a decisão correta de mudança de rumo na carreira profissional.

 

Segundo Sofia Esteves, diretora da Companhia de Talentos, consultoria especializada na seleção e desen­volvimento de programas de estágios e trainees, houve uma mudança significativa na busca pelo primeiro emprego nos últimos 20 anos. "As pessoas que hoje estão na faixa dos 35 a 45 anos começavam a trabalhar em posições muito simples e muito cedo nas empresas. Com 16,17 anos, os rapazes trabalhavam como office-boys, as meninas como recepcionistas, e isso fazia com que as pessoas fossem entrando aos poucos no mundo corporativo", descreve.

 

A consultora destaca que, da década de 1980 para cá, essa forma de entrada no mercado de trabalho foi substituída pelo primeiro estágio realizado concomitantemente com o curso de nível médio ou superior. Tanto que Sofia cita uma pesquisa recente feita pela Companhia de Talentos que apontou apenas 5% de 17 mil jovens entrevistados não terem tido alguma experiência profissional anterior, seja como estagiário, seja como empregado. Por outro lado, ela ressalta que esse dado expressivo refere-se ao fato da necessidade do jovem ter de trabalhar para custear seus estudos. "Atualmente está cada vez mais distante aquela realida­de do jovem que primeiro faz toda a sua formação para depois entrar no mercado de trabalho", pontua.

 

Por outro lado, a consultora afirma que o processo de transição da escola para o mundo corporativo tem-se mostrado chocante para uma parcela dos estudantes que participam dos processos de seleção conduzidos pela consultoria. "Além dos programas de orientação de carreira, há casos em que necessitamos orientar até mudança de comportamento em situações básicas, como postura de não sentar em cima da mesa, como se faz na faculdade, porque na empresa se exige um pouco mais de formalidade, ter um grau de sociabilização diferente do que se tem com o amigo da universidade", atesta.

 

Sofia explica que, nos processos seletivos, o estudante ou recém-formado faz a opção pela área de interesse em que deseja estagiar ou participar do programa de trainees.

O candidato, caso se interesse, pode participar de oito sessões de coaching e é aplicado um inventário comportamental adequado à idade ou experiência que ele possui, para fazer um levantamento de como é a sua capacidade de trabalho em equipe, extroversão, iniciativa, raciocínio lógico, com o objetivo de ajudá-lo a refletir e fazer a melhor escolha sobre qual carreira seguir versus o seu perfil. "Nós não apontamos qual área deve seguir, mas refletimos juntos para que ele tome a decisão", salienta.

 

Depois de contratado, Sofia conta que, em alguns casos, o estudante ou recém-formado escolhe uma área para iniciar sua carreira e quando está no dia-a-dia fazendo o trabalho prático, percebe que teria muito mais prazer ou até mesmo mais competência para trabalhar em outro setor. "Quando isso acontece é feita uma transição dentro do próprio programa de estágios ou trainees para que ele migre de área", esclarece.

 

Para Bernardo Leite Moreira, consultor empresarial e especialista em coaching, no início de carreira, espe­cialmente em programas de estágios e trainees, há um papel importante a ser considerado pelas empresas: o do mentor ou mentoring. "É o profissional que vai dar suporte e acompanhamento a esse novo profissio­nal inexperiente que precisa conhecer o 'caminho das pedras', deve ser orientado sistematicamente e receber um sistema que chamamos de técnica de espelho, no sentido de fazê-lo refletir sobre possibilidades, caminhos e alternativas", ressalta.

 

Segundo Sofia, o prazo de maturação para formação do profissional em um programa de trainees é de três anos quando o objetivo é uma formação gerência e de um ano para uma posição especialista.

 

A transição durante a carreira

 

Normalmente as pessoas desejam crescer profissio­nalmente e o processo de transição de carreira para quem é promovido ou muda de área pode ser tão doloroso quanto o do jovem que inicia sua primeira experiência. É nesses casos que o coaching surge como uma alternativa para minimizar os impactos da mudança.

 

O coaching é um processo de aconselhamento que visa o desenvolvimento profissional, identificando e solucionando deficiências. "Uma das grandes forças do coaching é o fato de ser um processo focado, porque ele procura atender necessidades importantes e prioritárias da pessoa", esclarece o consultor Bernardo Leite Moreira. "Numa transição de carreira, o coaching pode ser extre­mamente benéfico para orientar, refletir e definir passos e ações", completa.

 

Nos casos de promoção com transferência de área, a chamada "carreira em Y", ou até mesmo na mobilidade horizontal, Moreira considera que o coaching pode ser benéfico para o profissional. "Quando uma pessoa sai do seu rnétíer e vai para outro, naturalmente sente difi­culdades e o coaching é um excelente suporte para essas adversidades adicionais e novas que as pessoas têm no desenvolvimento de sua carreira".

Outra questão que as pessoas não pensam em um processo de transição de carreira, principalmente quando envolve a troca de emprego, é a financeira. Comumente, os profissionais que mudam de empresa para um cargo melhor ou com um salário maior, tendem a reposicionar seu padrão de vida ao novo salário antes mesmo de assu­mir a nova função.

 

O consultor financeiro Gustavo Cerbasi alerta que esse é um dos maiores erros que alguém pode cometer, tanto em relação ao seu orçamento familiar, quanto para a própria carreira. "A pessoa não deve se adaptar rapidamente à nova realidade, mesmo se essa mudança de emprego acontecer com um aumento salarial. Ela precisa ter um tempo de amadurecimento psicológico, tentando preservar seu padrão de vida e discutir em família que tipo de escolha vai ser feita para aproveitar o novo patamar de salário", recomenda. "Por mais motivador que seja uma renda maior ou uma oportu­nidade melhor, o estresse de um ambiente que você não conhece acaba, indiretamente, gerando custos emocionais para a pessoa que, conseqüentemente, levam a custos maiores de saúde, como tratamentos, massagens, compensações, então, esta é uma fase para a família ficar alerta, fazer alguns sacrifícios e não man­ter o ritmo normal", adverte.

 

Ele enfatiza o fato de profissional e família encararem essa fase como uma transição e que a adaptação à nova realidade deve ser feita depois de um prazo de tempo, no mínimo seis meses. "Pode-se planejar uma viagem depois do primeiro semestre de trabalho para comemorar essa transição, até porque, sem querer ser pessimista, pode ser que essa mudança de empresa não dê certo e voltar atrás é perigoso e doloroso", ensina.

 

Cerbasi igualmente adverte os profissionais que recebem renda extra, sejam vendedores que recebem comissões, sejam aqueles que têm participação nos resultados ou ganham bônus e que, comumente, vão gastando 'por conta', antes mesmo de receber o dinheiro. "Os gastos básicos do mês devem estar sem­pre vinculados à renda fixa e o variável ser destinado a viagens, troca de automóvel, renovação do guarda- roupa, presentes para a família", orienta.

 

Em relação às aplicações financeiras, Cerbasi indica o investimento no mercado de capitais, por exemplo, apenas para as pessoas que já têm o hábito de fazer apli­cações regulares, visando o futuro. "O mercado de ações está se mostrando exuberante e promete se manter por um bom tempo, mas, apesar da força com que vem a informação, eu proponho às pessoas que estão atrasadas no seu plano para o futuro que tirem esse atraso e façam uma boa reserva de forma conservadora, principalmente se for alguém na faixa dos 50 anos, quando começa a se preocupar com a Previdência", pondera.

 

Na opinião de Cerbasi, o 'pulo do gato' para quem deseja ter uma vida financeira tranquila na aposentadoria é começar a fazer um projeto de finanças pessoais ainda no início da carreira. "Um jovem que projeta mais 40 anos de trabalho pela frente, com menos de 5% do salá­rio poupado é suficiente para manter um padrão de vida interessante na aposentadoria", estima.

 

Ele destaca que são raros os casos de brasileiros que realmente seguem um planejamento financeiro visando o futuro, ou seja, a aposentadoria. "Talvez seja o caso de reforçar um plano de poupança para o futuro com esse dinheiro extra que vem numa mudança de emprego", explica, referindo-se às verbas rescisórias.

 

Fui demitido. E agora?

 

Por mais equilibrada que uma pessoa possa acre­ditar ser, é muito difícil que ela "não perca o chão" no momento de uma demissão. Para José Augusto Minarelli, presidente da Lens & Minarelli, uma das principais con­sultorias de outplacement (recolocação de executivos) do país, a transição é um processo que a pessoa precisa passar para encontrar um novo trabalho.

 

Ele explica que ao receber em sua consultoria um executivo dispensado por uma empresa cliente, em pri­meiro lugar recomenda que ele não faça nada antes de "assentar a poeira que porventura tenha sido levantada" pela demissão. Em seguida, o assessorado deve "clarear o horizonte", definir o que deseja para frente em termos de ocupação e inventariar e preparar o que tem e se reverte em um projeto de busca de uma nova atividade.

 

"Normalmente as pessoas quando perdem o emprego, fazem um currículo às pressas, dando a este documento um caráter histórico e saem para ver o que o mercado tem para oferecer, só que este mercado não está ofertante", aponta.

Segundo Minarelli, o outplacement correto, comple­to, inclui três momentos e dois beneficiados: o empre­gador, que quer dispensar corretamente, respeitando o demitido, cuidando do efeito na pessoa que sai e nas que permanecem; e o empregado que é dispensado e volta ao mercado. Esses três momentos são: o antes, em que a empresa é assessorada em tudo o que ela precisa para demitir direito; o dia, para que o demissor esteja presente para receber o demitido; e o depois, quando o assessora­do é recebido na consultoria para desenvolver seu projeto de recolocação. "Costumamos recomendar ao profissio­nal 'fechar para balanço' por uma semana e, depois desse período, começar a comunicar ao mercado a sua disponi­bilidade e aquilo que está procurando", comenta.

 

Segundo o consultor Bernardo Leite Moreira, nessa fase de início do projeto de recolocação, um trabalho importante desenvolvido pelas consultorias de outplace­ment é o de counselling ou aconselhamento. "Trata-se de uma atividade que dá sustentação maior ao desemprega­do, indicando o que e como buscar, o que fazer e, prin­cipalmente, o que não fazer, e orientá-lo nesse sentido", explica. Ele ainda complementa que o coaching, apesar de não ser indicado para os casos de demissão, pode ser aplicado para avaliar a carreira, verificar necessidades e analisar toda uma história pregressa, de vocação, de dedi­cação à determinada área para poder conduzi-lo para uma ação mais objetiva.

 

Minarelli explica que, no projeto de marketing pessoal para busca de um novo trabalho, depois de feito o inven­tário de carreira, em que são registrados todos os conhe­cimentos, habilidades e experiências, o profissional parte para uma auto-análise do que gosta, o que pode, quais são seus condicionamentos, fraquezas, necessidades, exame das alternativas e fixação do foco da procura, que ele chama de propósito. "Quem não define o que procura tem dificuldade em encontrar e quem não sabe o que tem para oferecer, fica contando histórias", alerta.

 

Cumpridas as três primeiras etapas do projeto, vem a montagem do currículo e escolha da área geográfica pre­ferida, origem do capital e tamanho das empresas. "Com esses quatro fatores de segmentação, a pessoa pesquisa nos bancos de dados as organizações que possam ser alvo de seu interesse", atesta. A última fase é a do marketing pessoal, com a utilização da rede de relacionamentos (networking) para procurar quem pode apresentar ou indicar o caminho para chegar à pessoa-alvo e oferecer seu trabalho. "É importante também consultar se ela necessita dos seus serviços naquele momento ou, se não, colocar-se à disposição para outra oportunidade ou, ainda, verificar se aquela pessoa sabe de alguma oportuni­dade em outra empresa ou se ela pode apresentá-lo para outro eventual contratante", ensina.

 

Mas não é só sobre o projeto de busca de um novo trabalho que o desempregado deve se debruçar. Ele tam­bém precisa estruturar sua vida financeiramente, inclusive para a procura de uma nova oportunidade. Como já reco­mendou anteriormente, o consultor financeiro Gustavo Cerbasi indica a criação de uma reserva de segurança no início da carreira que leve a uma certa independência financeira no final da vida ou para momentos como o desemprego. Ele explica que quando uma pessoa perde o emprego, recebendo uma indenização ou não, encara uma situação delicada, porque ela não sabe quanto esse período sem trabalho vai durar.

 

Cerbasi explica que o primeiro passo é reunir a família e buscar uma estratégia envolvendo inclusive os filhos, colocando o esforço que cada um deve fazer para admi­nistrar esse período. "Ter uma conversa muito clara sobre dinheiro é importante, talvez até levando em considera­ção e abrindo o jogo com a família de quanto tempo pode se manter com aquela verba indenizatória", recomenda.

Como forma da fazer o dinheiro da indenização girar e até crescer durante o período de desemprego, Cerbasi indica separar uma parcela, que pode ser de até 50% e fazer negócios de giro rápido, por exemplo, adquirir bens em leilões e revendê-los com lucro. Por outro lado, ele não recomenda aplicar a verba rescisó­ria em aplicações de risco. "Não é hora de fazer apostas ou jogar com o dinheiro para tentar tirar resultado daquela pequena poupança que o mantém por pouco tempo", sinaliza.

 

O consultor financeiro também orienta o desem­pregado a não parar de investir em sua carreira. "Todo programa de qualificação, aquisição de conhecimento, certificação que a pessoa busca, como um MBA ou pós-graduação, é um investimento no aumento de sua renda, empregabilidade e de criação de oportunidades"

 

Quero ser meu próprio patrão!

 

O Brasil é um dos países mais empreendedores do mundo, segundo várias pesquisas nacionais e interna­cionais. O grande sonho de todo brasileiro é ter seu próprio negócio. Mas esse importante passo na car­reira também exige um processo de transição bastante estruturado pois, além de exigir muito investimento financeiro e de tempo, também envolve todos os ris­cos de se trabalhar por conta própria.

 

Segundo o consultor Bernardo Leite Moreira, um novo empreendimento requer conhecimento de merca­do, de práticas de venture capital e de desenvolvimento de negócios. Para quem deseja deixar o emprego para tornar-se empreendedor, ele indica fazer algumas sessões de coaching para adaptar a ideia inicial da saída do traba­lho fixo para o empreendimento e, complementarmente, avaliar a alternativa, as possibilidades, a viabilidade e as questões financeiras que envolvem o novo negócio.

 

Entretanto, ele salienta que o coach, impreterivel­mente, precisa ter expertise na área de plano de negócios (business plan) e alguma experiência nessa área. "A orientação para um novo empreendimento extrapola os limites do coaching, porque não se pode simplesmente baseado num processo de coaching orientar um novo negócio", adverte.

 

Por outro lado, Moreira destaca que, caso o negócio já esteja em pleno funcionamento, o coaching pode ser trabalhado para o desempenho profissional. "Nesta cir­cunstância, o coaching vai funcionar como alternativa de suporte de gestão", completa.

 

Se fazer uma saída planejada do emprego fixo, inclu­sive contando com um consultor que faça a orientação para a abertura do novo negócio, é de extrema impor­tância, cuidar das finanças pessoais para este momento é absolutamente vital. Na opinião do consultor financeiro Gustavo Cerbasi, o maior risco é a pessoa não perceber exatamente qual é a real necessidade de recurso que ela precisa para empreender. "Existe um chavão financeiro muito antigo de que uma nova empresa começa a dar lucro após dois anos de atividade e as pessoas não enten­dem isso", comenta.

 

Ele explica que é possível uma empresa começar a dar lucro antes de dois anos, "mas o novo empre­sário precisa entender que o primeiro biênio de um negócio é muito frágil, em que você é pequeno como todos os concorrentes e todo lucro obtido deve ser reinvestido para criar um diferencial em relação à concorrência".

 

Cerbasi propõe ao profissional que optar pela tran­sição de uma carreira estabilizada numa empresa para se tornar seu próprio patrão, ter não só o investimento necessário para o negócio começar a funcionar, mas também investir o necessário para manter a família nos dois primeiros anos. "Ele precisa ter em mente que, se não tiver o suficiente, no mínimo, precisa saber de onde vai tirar. O importante é não subtrair recursos do empre­endimento nesse começo porque ele depende muito de investimento", recomenda.

 

Aposentadoria é fim de carreira?

Com o aumento da longevidade do brasileiro, hoje estimada em 70 anos, a aposentadoria, definitivamente, não representa mais o final da carreira. Há casos de pes­soas que chegam aos 70, 80, 90 anos em plena atividade profissional, não necessariamente aquela com registro em carteira, mas dedicando-se a participações associati­vas, filantrópicas, ou mesmo a um negócio próprio com ajuda de parentes.

 

O consultor Bernardo Leite Moreira ressalta que a grande maioria das pessoas não está preparada para a aposentadoria. Ele explica que, muito frequentemente, as pessoas programam para se aposentar apenas cinco anos antes da morte. "O trabalho não é só uma obrigação, é uma forma de vida. Quanto mais adiantada a idade, maior a necessidade das pessoas de sentirem-se úteis", pondera.

 

Entretanto, Moreira salienta que, apesar de algumas empresas terem programas especiais de preparação para a aposentadoria, essa parcela é uma minoria. "É uma pena deixar de lado as pessoas de mais idade. Elas precisam ter mais importância na vida das pessoas, devem ser mais ouvidas", comenta.

 

Pelo lado financeiro, Gustavo Cerbasi volta a indicar a necessidade de se contratar um plano de previdência ou fazer uma reserva de segurança ao longo da vida profis­sional. Além de fazer uma poupança pessoal, o consultor em finanças também recomenda ter uma expectativa de poder empreender no futuro, "mesmo que acredite não levar jeito para isso". Ele sugere a formação de uma reserva financeira suficiente para montar um negócio de modo a assegurar que vai ter uma alternativa em caso de desemprego na aposentadoria e não cair no ciclo de desespero da maioria dos brasileiros.

 

Para o leitor de Vencer! entender o quanto preci­sa guardar para o fim da carreira, Cerbasi explica que, investindo num plano de previdência moderado, deve-se guardar 10% do que ganha, durante 30 anos para, no final desse período, ter formado uma "bolada' suficiente para mante-lo só de rendimentos num padrão de vida equiva­lente ao atual. Por exemplo, uma pessoa que ganha em média R$ 3.000,00 por mês, se guardou R$ 300,00 todos os meses, se aposenta com uma renda de aproximada­mente R$ 3.000,00.

 

E se começar a investir a partir dos 40 anos? Neste caso, Cerbasi destaca que o esforço empreendido é bem maior. "Se uma pessoa estima ter mais 30 anos pela fren­te, para manter o mesmo padrão de vida, precisa poupar cerca de 27% do que ganha", calcula.

 

Para 'tirar o atraso', Cerbasi indica investimentos de giro rápido, como adquirir bens em leilões e revendê-los com lucro. "A opção de cuidar do futuro precisa ser mais ativa e o caminho não é um plano de previdência; é começar a fazer uma reserva financeira e estar atento a oportunidades de fazê-la crescer", ensina.

 

Fonte: VENCER! – ANO VIII Nº 94 – Pág. 44 a 51.