Como despertar e energia empreendedora? PDF Imprimir E-mail
Qua, 05 de Fevereiro de 2014 13:55

O que desperta a energia empreendedora? Por que, em uma mesma organização e mesmo contexto organizacional, algumas pessoas agem de forma empreendedora e outras, não?

 

A literatura sobre empreendedorismo dá uma ênfase especial aos sonhos dos empreendedores, à busca de realização pessoal e profissional, ao protagonismo e à energia que impulsionam o empreende­dor a transformar o sonho em realidade.

 

Segundo Louis Filion, professor de empre­endedorismo da HEC, Escola de Negócios do Canadá, a energia — vista como um dos elementos de suporte ao empreendedor — pode ser traduzida como "o tempo alocado para atividades profissio­nais e a intensidade com que essas atividades são executadas". Essa energia leva o empreendedor a liderar projetos e equipes, de forma a completar uma visão e dedicar mais tempo à criação e preser­vação de relacionamentos. Quanto mais tempo e energia ele gastar no desenvolvimento dessa visão, mais benefício terá, pois as diretrizes que desen­volver vão gerar motivação e energia naqueles que o cercam. O processo de sonhar e tentar realizar produz uma energia que vem da emoção e leva à ação. Por isso, é capaz de produzir as mudanças que levam à concretização do sonho.

 

A energia tem um papel importante tam­bém nas organizações de sucesso. Essas empresas são constantemente reprojetadas para criar um ambiente que gere energia em seus líderes, num sistema aberto às informações do mercado, dos empregados e dos concorrentes.

 

Para Sumantra Ghoshal, um dos princi­pais estudiosos das organizações, os dirigentes devem repassar para toda a empresa a coragem de aspirar e sonhar. Essa visão de fazer somen­te coisas extraordinárias é a fonte da energia e da paixão que impulsionam uma organização para o crescimento em longo prazo. Para ele, na competição por sonhos, "a força da ambi­ção da empresa e a vontade humana se unirão com a visão dos futuros mercados, para criar o excitante senso de objetivo que energiza todo o processo estratégico".

 

Diversos estudos convergem para a visão do empreendedor como alguém capaz de desenvolver sonhos que contribuam para a evolução de sua individualidade e possam gerar valores humanos (riqueza material e/ou imaterial) para a organização que dirige ou onde trabalha, e para a comunidade do seu entorno. Concluímos, então, que a energia empreendedora pode ser despertada nas pessoas em um ambiente que estimule a competição por sonhos, com base numa estratégia e visão de futuro perceptível, que seja excitante e satisfatória para cada um e para o grupo.

 

Em uma organização empreendedora as pessoas têm um projeto comum e atuam em rede. O ambiente é de cooperação e interdependência, com base em uma estrutura que coloca no topo do organograma as pessoas e equipes diretamente ligadas à operação dos negócios.

O empreendedor corporativo nasce e cresce nos ambientes empresariais com essas características, onde as pessoas têm um projeto comum, sem abrir mão de seus desejos e sonhos individuais.

 

Em contraste, modelos tradicionais de adminis­tração industrial tentam contornar as incertezas con­trolando as pessoas e suas ações. Implicitamente, a direção pensa e os colaboradores obedecem. O clima interno é caracterizado por baixo índice de compro­metimento dos colaboradores com os resultados e perda expressiva na busca de oportunidades, que ocorrem geralmente do lado de fora da empresa.

 

Na organização empreendedora, a estrutura organizacional é invertida e as decisões básicas de inovação são tomadas por equipes de negócios que atendem clientes e/ou produtos/mercados, e que se localizam no topo do organograma. Essas equipes têm a responsabilidade de focar um setor de opor­tunidade (não um produto ou mercado), já que estão mais próximas da interseção do como corporativo com as necessidades dos mercados.

 

AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DESSAS ORGANIZAÇÕES SÃO:

 

• As políticas e diretrizes estimulam o protagonismo, promovem a delegação e o empowerment de todos os colaboradores e não apenas dos gerentes;

 

• A comunicação é clara e em fluxo constante para todos os níveis;

 

• O erro é visto como parte do aprendizado, de modo a favorecer a inovação e a busca de novas oportunidades;

 

• A gestão de pessoas é descentralizada e pro­cura assegurar as melhores condições para o surgimento de múltiplos líderes;

 

• Os planos pessoais e os da organização estão em sintonia, porque a política de crescimento da empresa, com espaço para o protagonismo de seus colaboradores, permite que as escolhas e os sonhos individuais sejam colocados num plano coletivo de construção de algo maior;

 

• O sonho coletivo é ancorado no fato de a empresa estar sempre voltada para o novo e o aproveitamento de novas oportunidades de mercado, além da renovação de seus proces­sos e sistemas organizacionais;

 

• A cultura é de estímulo ao crescimento e de forte cobrança de resultados, mesmo para os recém-chegados, pois os meios e as ferramentas são colocados à disposição de todos.

 

Fonte: VENCER! – Ano VIII Nº 94 – Pág. 74 a 75.