O meu tapete ninguém puxa! PDF Imprimir E-mail
Sáb, 08 de Março de 2014 13:03

Armações, trapaças, complô e rasteira profissional... Conheça as artimanhas de quem age contra você antes de ser vítima de um golpe que pode nocautear a sua carreira

 

O ambiente de trabalho nem sempre é um mar de rosas. Afinal, é dentro das organizações que as pessoas disputam "o seu espaço". Diante das múltiplas personalidades, formação e bagagem cultural, a possibilidade de turbulência e de atrito é bem grande! Não é difícil, por exemplo, descobrir que um colega mal intencionado está querendo prejudicar você profissio­nalmente com o objetivo de ocupar o seu lugar. Isso nada mais é do que a famosa puxada de tapete - expressão que define as armações e ciladas do mundo corporativo, mesmo com todos os esforços das áreas de recrutamento e seleção para impedir a disseminação desse comportamento.

 

Exemplos para ilustrar a situação não faltam. É a fofoca que impede o colega de assumir um cargo; é o profissional que rou­ba as ideias do outro e as apresenta como se fossem suas; é o que, na frente de seus pares, concorda com tudo e todos, mas na frente da diretoria assume outra postura. E por aí vai..."As companhias estabele­cem critérios de comportamento mas não têm como garantir que os funcionários vão cumpri-los à risca", explica Angélica Pigola, coordenadora de Recursos Huma­nos do Grupo EcoRodovias, que congrega 1.200 colaboradores.

 

Angélica cita um caso recente na com­panhia que terminou em demissão dois meses após a contratação. "De uma hora para outra, a funcionária começou a disparar e-mails fazendo comentários negativos de algumas pessoas e departamentos", relembra a coordenadora de RH. Mas devido a sintonia entre os funcio­nários, eles mesmos trataram de mostrar que não a queriam por lá. "Baseada em pilares como o profissionalismo, ética e transparência, a equipe rejeitou o com­portamento dessa pessoa."

 

Nem sempre os métodos usados para sabotar alguém são tão transparentes as­sim. Há quem aja literalmente na surdina, motivado por insegurança, ambição exa­gerada, vaidade, imaturidade e até por va­lores distorcidos. Mas há também os casos de pessoas que, de tão competitivas, não medem esforços para serem reconheci­das. Ainda que, para isso, precisem passar por cima de um colega de trabalho.

 

Onde há fumaça

 

Mesmo esses casos não acontecem da noite para o dia. Em geral vêm esquentando aos poucos, sem que a pessoa se dê conta. Por isso, ficar atento ao ambiente - sem paranóia, claro - é essencial, como afirma José Antônio Rosa, consultor da Manager Assessoria em Re­cursos Humanos. Segundo ele, entre os indícios de que algo errado pode estar em curso es­tão: a pessoa não ser convocada para reuniões importantes, não é mais chamada para dar sua opinião ou para discutir temas importantes e passa a ser tra­tada de maneira mais formal e distante pelos colegas.

Como ainda são indícios é possível se prevenir, evitando o pior – uma demissão. "Busque com frequência feedback sobre o seu trabalho. Além disso, aumente a comunicação com o chefe e com colegas que ocupam postos-chave", afirma o consultor. "Melhore também seu desempenho e intensifique a divulgação dos resultados obtidos com seu trabalho. Por fim, mostre os dentes ou as garras, pois pessoas passi­vas tendem a ser mais vítimas das puxadas de tapete", orienta José Antônio.

 

Nem sempre, a sabotagem vem do co­lega ao lado. Não é incomum o superior hierárquico enxergar no colaborador efi­ciente um inimigo a ser combatido. Os conflitos começam a surgir justamente no momento em que o profissional começa a apresentar os melhores resultados - pois foi para isso que ele foi contratado. Tradicionais sabotagens nessa linha podem ser identificadas pelo chefe que impede o subalterno de mostrar todo o seu poten­cial. Além disso, não deixa ele exibir seu trabalho ou conversar com pessoas de ou­tros níveis hierárquicos.

 

O advogado Rodrigo Valentim Porte­la sentiu na pele os sinais de que algo ia acontecer. E eles vieram de cima, pratica­mente desabando sobre sua cabeça. Ro­drigo ocupava uma posição relativamente próxima ao presidente da empresa, o que fatalmente o levava a tomar conhecimento e a participar de decisões importantes na companhia. De repente, porém, elas não passavam mais pelo seu crivo.

 

"Foi o primeiro indício de que havia um esvaziamento informal da função que exercia. Em seguida passei a tomar co­nhecimento do que acontecia por meio de outras áreas e percebi que minha saída estava decretada", conta.

 

Concorrência leal

 

Os questionamentos surgiram e não tive­ram efeito. Como ele não se via mais fazen­do parte da empresa, tomou uma decisão: buscar outro emprego. "Dois meses depois estava em outra organização e em nenhum momento me senti uma vítima, pois não fui pego de surpresa", explica.

 

Se engana quem pensa que a competiti­vidade no mercado de trabalho justifica as "puxadas de tapete". Os especialistas afir­mam que a competição é saudável quando a meta é o bem da empresa - mas com regras do jogo justas e claras. É patológi­ca quando coloca o interesse pessoal em detrimento da organização. Em geral, ser bom sempre compensa. "Apostar na ética, no coleguismo e na cooperação contribui para o sucesso a longo prazo e para um sono tranquilo", complementa o consultor.

 

Daniele Mendonça, gerente de negócios da Across, consultoria especializada na área de recrutamento e seleção, hunting e desenvolvimento organizacional, acredita que a competição em si não é algo ruim nem deve ser vista dessa forma. "Há com­panhias que adotam o modelo de avaliação de desempenho considerando metas individuais, da equipe e da empresa, o que fortalece a atitude de entrega de resulta­dos com uma visão da coletividade", diz. Mas se o ambiente interno é marcado pela competição acirrada, com trapaças entre colegas de trabalho, dificilmente as empre­sas investigam quem é justo ou não, assim como não sabem quem errou ou acertou.

 

O profissional é que precisa ficar esperto, porque dificilmente haverá uma grande re­volução para salvá-lo. A melhor saída antes e depois da "puxada de tapete" é conversar, abrir o jogo e falar de um jeito adequado sobre o que se percebe. Mas é claro que isso tem a ver com a opção de querer ou não apostar na relação com a empresa ou com os pares de trabalho.

 

Sacuda a poeira

 

Antes de qualquer coisa, é preciso res­ponder às perguntas: quero investir nessa empresa e na relação com minha chefia ou colega de trabalho? "Acredito sempre que o investimento é um caminho positivo, mas cada um tem uma realidade que precisa ser considerada", diz Daniele Mendonça.

 

Nem todas as pessoas percebem uma rasteira profissional com tempo de reverter o jogo. Nesses casos, só tem um jeito: re­começar. E o primeiro passo para ser bem-sucedida é deixar de lado a sensação de ser vítima, aprender com os erros - seus ou dos outros - e pensar em evitá-los. "Você também é responsável pelas relações que estabelece", afirma Daniele Mendonça, ge­rente de negócios da Across.

 

Já o consultor paulistano Renato Nishimura orienta a encarar o fato com maturidade, sem vingança, pois isso só destrói e, cá entre nós, desagrega. O melhor é manter o foco e nunca, jamais, em tempo al­gum levar a história dessa rasteira para uma nova entrevista de tra­balho. Ou você pode, no lugar de desabafar, criar outro problema.

 

"Passado é passado, futuro é o que importa", diz ele. Mágoa, raiva e de­silusão não agregam valor a um novo tra­balho. "Projetos, formação e objetivos de carreira são o melhor remédio. E principal­mente, aprenda com os erros para que isso não aconteça nunca mais", conclui.

 

Previna-se das armações

 

Elaboramos um manual com sinais comuns para ajudá-la a perceber se "algo está acontecendo". De posse dele, fique atenta para impedir que alguém puxe seu tapete.

 

Olho vivo nestes sinais...

 

Ser deixada de lado

 

Sentir que está de lado das decisões ou dos projetos novos, pois: ninguém mais convoca você para opinar sobre assuntos de grande ou média importância; suas ideias não são levadas em consideração e as informações importantes não chegam mais a você.

 

Faltar transparência

As relações não se mostram verdadeiras e construtivas. Há muitos subgrupos (em algum grau há subgrupos nas organizações, mas se isso é muito gritante, é um indício de que algo vai mal).

 

Comunicação distorcida

 

Sensação de que a comunicação está estranha, com ruídos e não flui normalmente. Por exemplo: algo que você disse não está expresso ou não foi transmitido como deveria ter sido ao chefe, colega ou a um integrante da sua equipe.

 

Cultura interna competitiva

 

Há empresas muito competitivas até internamente. O ambiente se torna destrutivo quando as pessoas enfrentam colegas em detrimento do desempenho. Veja se é o seu caso e fique alerta.

 

Sabotadores disfarçados

 

Em ambientes competitivos é importante ficar atenta (sem exageros) para não se tornar vítima de possíveis sabotagens. Construa relacionamentos e deixe as pessoas conhecerem você e seu potencial.

 

Tudo oficializado

 

Quando há sabotadores à espreita, você deve formalizar suas entregas e propostas por e-mail para evitar problemas de comunicação. Ao sair, faça uma lista das eventuais pendências.

 

Tentativa de manipulação

 

Cuidado com os apelos do sabotador para fazer coisas com as quais você não concorda. Ceda sim, quando isso não contrariar suas crenças, valores nem seu projeto na empresa.           

 

Aproximação estratégica

 

Se o inimigo se aproximar e você não puder combatê-lo, una-se a ele. Essa é uma forma inteligente de eliminar puxadas de tapete ou pelo menos ter por perto os passos do seu desafeto.

 

Fortaleça sua presença...

 

Relacione-se bem

 

Conquiste e mantenha relacionamentos em outras áreas e departamentos. Conviva com pessoas competentes e aprenda com elas. Relacione-se com todos os envolvidos no seu trabalho e também com as pessoas que não estão diretamente ligadas a você.

 

Venda seu peixe

 

Mostre constantemente seu valor para a empresa. Pessoas que não mostram seu potencial e que se envolvem em relacionamentos infrutíferos são prováveis vítimas das "puxadas de tapete".

 

Defenda-se com trabalho

 

Faça a sua parte e um pouco mais. Fixe-se em resultados e na construção de trabalhos consistentes. Seja diferente, busque seu crescimento e faça a empresa enxergar você num futuro muito promissor.

 

Coopere com todos

 

A postura de "contribuir" é a melhor maneira de trazer atitudes positivas para seus colegas. O inverso, pensar apenas no seu trabalho e nada mais, não ajuda a construir credibilidade.

 

Fale com jeitinho

 

Deixe claro como acredita que as relações devem se dar. Capte situações concretas de ação que não foram legais por parte do "possível puxador de tapete".

 

Comporte-se

 

Sua postura no trabalho pode deixá-la vulnerável! Não dê margem a fofocas e inveja. Evite o "disse-me-disse". Essa é a mais pura demonstração de relações saudáveis e maduras.

 

Equipe harmônica

 

Um grupo bem liderado e em harmonia provoca seguidores. Reconheça que as qualidades dos colegas não vão anular as suas e acredite que somar é mais saudável do que dividir.

 

Mantenha a calma


Jamais "perca as estribeiras", sendo agressiva e falando de modo explosivo o quanto está aborrecido. Caso esteja no limite, fale enquanto tem o controle de si e da situação.

 

Fonte: REVISTA VIDA EXECUTIVA – Ano 4 Nº 41 – Pág. 40 a 44.