A mulher mais poderosa PDF Imprimir E-mail
Ter, 29 de Março de 2016 17:08

A revigoração da PepsiCo deu o título à indiana Indra Nooyi. Ela apostou que os produtos saudáveis tomariam o lugar dos refrigerantes – e está acertando

 

A executiva indiana Indra Nooyi diz que queria ser cantora de rock quando criança. Aprendeu a to­car guitarra elétrica e chegou a fazer algumas apresentações informais para amigos. Quando a coisa ficou séria de­mais, afirma ter ouvido da mãe algo que marcaria sua vida: "Você não vai ser can­tora de rock. Vai ser primeira-ministra". Atual CEO da PepsiCo, a segunda maior fabricante de refrigerantes do mundo, Indra adora contar essa história. Mas não acredita que sua mãe teve uma es­pécie de premonição de seu sucesso. "Eu gostei daquela ideia e decidi que, dali por diante, ia fazer de tudo para chegar lá", disse. Indra não se tornou primeira-ministra, mas virou uma estrela dentro e fora do universo das empresas. Em ou­tubro, ela foi eleita a mulher mais poderosa do mundo pela revista americana Fortune, à frente de estrelas como a apre­sentadora Oprah Winfrey e Zoe Cruz, presidente do banco Morgan Stanley e apontada pela própria Fortune como a executiva mais bem paga do planeta.

 

 

Indra nasceu há 52 anos numa família de classe média da cidade de Madras, na Índia. Mudou-se para os Estados Unidos aos 23 anos para cur­sar mestrado em Administração na Uni­versidade Yale, em Connecticut. Antes de ingressar na Pepsi, trabalhou na Motorola e na consultoria The Boston Consulting Group. Foi contratada pela Pepsi em 1994, para ocupar o cargo de vice-presidente de planejamento estra­tégico. Nessa posição, ela comandou as mudanças que tornaram a concor­rente da Coca-Cola um gigante tam­bém no ramo de alimentos. Em 1997, foi a responsável pela consolidação das redes Pizza Hut, Taco Bell e KFC, até então deficitárias, em uma única empresa, a Tricon, rebatizada mais tar­de de YUM." Hoje, a YUM é um dos braços mais lucrativos da Pepsi.

 

A grande tacada de Indra foi a compra da Quaker, dona do Gatorade, no ano 2000. Durante meses, a Quaker negociou sua venda para a Coca-Cola. Diante da demora no acerto, a Pepsi designou Indra para tentar uma investida. Justificando sua fama de negociadora hábil, ela resol­veu o assunto em poucas semanas. Por US$ 13,9 bilhões, a Pepsi levou a Quaker e o Gatorade, que detém cerca de 70% das vendas mundiais de isotônicos.

 

A partir daí, ficou claro que a Pepsi e a Coca-Cola apostariam em estratégias opostas. "A Pepsi passou a investir na diversificação", diz John Band, analista da consultoria britânica Datamonitor. De acordo com o consultor, a Coca foi na direção oposta, concentrando esforços na área de refrigerantes. Indra teve a sensibilidade de perceber, muito antes da concorrência, uma demanda crescente por produtos saudáveis, que hoje já respondem por 50% do mercado mundial de bebidas não-alcoólicas.

 

Há uma década, o porcentual não chegava a 30%. Na Pepsi, ela conduziu os lançamentos de marcas como os sucos Tropicana e os chás Lipton. Empresa co­nhecida até então como uma fabricante de refrigerantes, a Pepsi virou seu negócio do avesso. Apenas 20% de suas receitas atuais vêm da venda de refrigerantes. Na Coca-Cola, a proporção é inversa. A es­tratégia revelou-se acertada. Há 15 anos, o valor de mercado da Coca-Cola era quase o triplo do valor da Pepsi. Hoje, essa di­ferença mal chega a 20%. A Coca tem a seu favor o peso de uma das marcas mais fortes da História, avaliada em US$ 65 bilhões, cinco vezes mais que a Pepsi.

 

Como uma das principais responsá­veis pela virada de estratégia da Pepsi, Indra subiu postos até se tornar CEO, em maio deste ano. É a primei­ra mulher a ocupar o cargo na história da companhia. Para alguns críticos, ela usa a origem indiana como marketing pessoal. Costu­ma vestir-se com o sári, tra­je tradicional indiano. Em ocasiões especiais, recorre ao tradicional bindi, arca
entre os olhos usada pelos hindus. Casada com um executivo de uma consulto­ria americana e mãe de duas meninas, de 11 e 22 anos, costuma levar as filhas para o escritório. Por causa da vida atribulada típica de executivos de ponta, ela inven­tou um sistema curioso. No início do mês, marca no calendário os dias reservados para jantar com as filhas. Se não cumprir o prometido, as filhas registram a falta no calendário com um bilhete preto. Segundo Indra, trata-se de um alerta para lembrá-la que não pode ficar ausente de casa. Como
presidente da PepsiCo, tem sido cada vez mais difícil jantar com a família.

 

Fonte: REVISTA ÉPOCA – 26 de Novembro de 2010 – Pág. 76 a 77.

  
Última atualização em Ter, 29 de Março de 2016 20:07