Perfil do Executivo brasileiro: cooperativo, machista e apegado ao poder

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O executivo brasileiro é centralizador em seu meio profissional, mantém resistências à evolução da mulher na estrutura da empresa, mas conserva uma visão coletivista no ambiente de trabalho. Também aprendeu como ninguém a lidar com dificuldades nas ultimas décadas e, ao contrário do que se imagina, tem mais planejamento a longo prazo que profissionais de paises europeus ou os Estados Unidos.

Uma pesquisa da Fundação Dom Cabral, de Belo Horizonte, identificou estes e outros traços culturais de executivos e executivas brasileiras, revelando alguns valores que permeiam a vida de quem exerce cargos importantes nas empresas do País. A Fundação comparou também dados coletados com os números de uma pesquisa feita nos mesmos moldes há 30 anos.

A tese de doutorado da psicóloga Betânia Tanure, intitulada O Estilo Brasileiro de Administrar, concluiu que evoluímos em algumas características tidas como negativas pelos especialistas em administração, mas continuamos firmes em outras. Betânia se baseou numa pesquisa feita em 1972 pelo holandês Hofftede Geertz, que ouviu 160 mil pessoas do mundo todo e identificou o ompacto da cultura de cada país na gestão empresarial.

A psicóloga, especializada em Administração de Empresas, replicou o modelo e analisou cinco dimensões da vida empresarial do País. Os dados de sua pesquisa foram coletados no final de 2001. A psicóloga ouviu 5 mil homens e mulheres de diferentes idades de empresas públicas e privadas.

A primeira dimensão analisada refere-se ao poder. Numa escala de zero a cem – onde a pontuação mais alta identifica estilos mais autoritários e centralizados, e a mais baixa, ambientes menos hierárquicos e independentes – o Brasil ficou com 75 pontos. Há 30 anos, a pesquisa de Geertz posicionava os brasileiros com 69 pontos. “Não é por acaso que ninguém aqui discorda do chefe”, diz Betânia.

Ela comparou anda os resultados do Brasil com os de outras nações, o que revelou uma proximidade dos paises latinos e distância dos americanos e escandinavos. Os Estados Unidos, por exemplo, contam com pontuação 18 na avaliação da relação com o poder, número semelhantes a países como Dinamarca (18) e próximo ao da Suécia (31). Para o sócio da TCA Consultores, Roberto Tranjan, o resultado brasileiro não surpreende, pois o País ainda tem lideres “ditadores”., o que prejudica o desempenho das empresas. “Gostar de poder não é defeito, mas no Brasil os líderes empresariais não sabem trabalhar com ele”, avalia. A ex-ministra da Administração Federal e Reforma do Estado Claudia Costin acredita, entretanto, que os ambientes de insegurança do passado deixaram os executivos desconfiados de seus quadros nas empresas. “Nos momentos difíceis, as decisões se concentram no topo”.

Fonte: Estadão de 13 de maio de 2003 – Caderno Economia pg B11

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