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Sergio Luiz de Jesus

Em época de eleições, costumamos assistir a programas políticos que poderiam ser encaixados basicamente em três categorias: os que não dizem nada, os que querem dizer tudo e dizem pouco e os que dizem mentiras.

Os programas que não dizem nada são aqueles recheados de belas imagens, com músicas bonitinhas, mas que não conseguem expor uma idéia que tenha pé e cabeça. São artifícios para pegar o eleitor pelos sentimentos, pelo lado visual. Ora, política de categoria é aquela comprometida com projetos e propostas claras, que ataquem os problemas reais do cidadão e que melhorem a qualidade de vida da cidade. Querer vender miragens está ultrapassado e não engana mais ninguém.

Há ainda os programas que querem dizer tudo e dizem pouco. De fato, alguns até que levam em conta uma ou outra proposta viável. Mas os marketeiros costumam tropeçar no tipo de linguagem. Geralmente advindos da classe média ou média-alta, eles desprezam o grau de compreensão das pessoas comuns, utilizando uma linguagem hermética e distante do dia a dia. Assim, ouvimos falar de “orçamento participativo”, “co-gestão com a sociedade civil” ou “qualificação técnico-pedagógia”, pérolas recolhidas na última campanha. Será que uma pessoa comum, sem grande dose de politização ou de conhecimento sociológico, interessada apenas em coisas que melhorem sua vida vai perder tempo com esse tipo de eufemismo acadêmico?

Há ainda os programas que partem para as mentiras deslavadas, o que mais me irrita. São aqueles em que o candidato assume um compromisso, sabendo que não tem a mínima condição de resolver o problema. É o caso do vereador que diz que em seu mandato “saúde, educação e segurança” serão prioridades. Ora, se o infeliz é eleito para fazer leis (essa é a função de um vereador)  e sabendo-se que as leis tem que ser aprovadas por uma maioria na Câmara, como é que ele pode dizer que tais coisas serão prioridades? Acaso tem bola de cristal? É porta-voz dos demais? Ou é ele mesmo quem vai construir hospitais, escolas? Outra modalidade é o programa que não diz de onde vem o dinheiro. O sujeito promete que construirá 10 mil casas populares, só que não se sabe como é que ele vai pagar a conta. Ou então o “golpe” da parceria. Um programa é anunciado como sendo uma parceria com a iniciativa privada ou com o governo federal. Aí, quando der errado, fica fácil jogar a culpa no “parceiro”.

O fato é que precisamos de um marketing político mais ajustado ao pensamento do cidadão médio. Que mostre uma realidade concreta, que apele para o bom senso e para as idéias inteligentes e viáveis. Sem enrolação ou fantasias.

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